Segunda-feira, Abril 04, 2005
Sou proparoxítona não acentuada.
Hoje é o aniversário da minha morte, agora ás 3h da tarde dessa segunda-feira faço vinte e nove anos de morta. Faleci num domingo chuvoso aos nove meses, no momento exato em que o Alex nasceu. Eu sou ele, se ele não fosse ele. Complicado, mas é assim mesmo, minha não-vida sempre foi complicada.
Imagina que sua mãe está grávida de você, descobre que será uma menina, te dá um nome, te dá roupas, imagina seu rosto... porém nove meses depois, você não nasce do jeito que era esperado, você nasce menino. Então você morre, pois era uma mentira, existiu apenas naqueles nove meses, agora só há o menino, só há o Alex.
E eu sou um nada, uma lembrança na cabeça de meus pais, uma poesia que não foi escrita, uma canção que não será cantada, uma anomalia, uma criança que morreu, porém, se eu não nasci, posso morrer?
Moni K.